quinta-feira, 15 de junho de 2017

Quinta do Urtigal


 A primeira referência escrita conhecida sobre a “QUINTA DO ORTIGAL” surge no volume XI da obra “Portugal Antigo e Moderno”, editado em 1886: o lugar do BARRIL e a QUINTA DO URTIGAL fazem parte da freguesia de Vila Cova de Sub-Avô. 
Nesse ano de 1886 começou a ser construída a ponte sobre o rio Alva, inaugurada dois anos depois. A população do BARRIL, com a nova ponte, aumentou e progrediu, como demonstram os censos: no ano de 1900 tinha 500 habitantes, e em 1910, 520.
No dia 25 de Julho de 1924, o Artº 1º do Decreto n.º 1639 determina que (…) seja desanexada da freguesia de Vila Cova Sub-Avô, concelho de Arganil, a povoação do Barril, a qual passará a constituir uma freguesia, denominada
BARRIL DE ALVA
António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO), conhecedor profundo da História do BARRIL DE ALVA, dizia que os fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado, naturais do BARRIL, afiançavam que a QUINTA DO URTIGAL já existia em 1727. Segundo o padre Luís Cardoso, o BARRIL, nesse ano, tinha “… vinte e nove vizinhos“.
Em 1527, o Cadastro da População do Reino, realizado a mando do rei D. João III, refere que o BARRIL pertencia ao termo de Coja e contava 10 fogos.
Sobre o topónimo BARRIL, escreveu AIACO (…): também medieval, derivado de barro e, portanto, de sentido geológico (…). Temos que admitir, também, que o povoamento do Barril de Alva é anterior ao século XII”.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Mestre Alberto"

O instrumental dançou nas notas da partitura e foi como se um povo inteiro, a plenos pulmões, fizesse ouvir o uníssono das vozes a desenhar a frase: "Mes....tre...Alberto...", começo de um poema  a exigir mais vogais e consoantes para que exista um todo, com principio meio e fim -  eis o que falta à melodia para que possa ser partilhada pelas gentes do Barril de Alva "quando a banda passar"  perto das nossas  emoções.
Domingo passado, no final do almoço dos 119 anos da Associação Filarmónica Barrilense,   o maestro Francisco Ferreira fez da sua obra um presente à família de Alberto Bernardo Simões - alma grande da filarmónica do Barril de Alva.
A homenagem, bonita de ouvir,  levou às lágrimas alguns dos presentes, como se o "Mestre Alberto" (Bernardo Simões) fizesse parte das suas vidas - e faz!
"Mes....tre...Alberto..."!

domingo, 27 de outubro de 2013

O chauffeur que recomendava a alma a Nossa Senhora

Retornei ao Piódão com tempo de sobra para múltiplas paragens antes do almoço, que havia de ser servido no hotel, estrategicamente erguido no centro da paisagem repousante.
O dia tinha imenso sol, o que garantia  excelentes cliques do Lumia  – uma espécie híbrida que não consigo definir: máquina fotográfica digital, que também permite usar o telefone, ou o contrário? Para quem "correu" atrás deste aparelho desde o seu nascimento, as funções que tenho à disposição justificaram puxar os cordões à bolsa…
Antes de escolher o que me interessava guardar na memória do meu “híbrido”, confesso, ganhei minutos deliciosos, a mente a navegar pelo “mar” de (muitos) montes e (poucos) vales, imaginação fértil sobre os segredos do Universo, dos que guarda Moura da Serra às lendas do Piódão - a viagem, apesar de curta, foi a mais extensa de todas desde os tempos em que a estrada tinha mais buracos do que piso direito. Hoje existe uma “auto estrada”, que as viaturas agradecem…
Sendo deslumbrante, a paisagem (estou em tratá-la de forma plural para ficar de bem comigo…) assemelha-se a um decrépito jardim de pedra.
A obra do Supremo Arquiteto do Universo, quando me aproximo de um despenhadeiro, permite avaliar a imensidão dos meus medos: se as vertigens aconselham cuidados e prosseguir a viagem em velocidade reduzida, como se comportarão os passageiros (e o condutor!) de um autocarro?
Já no destino, conheci a estória de um profissional dos transportes públicos que, garantiram-me, permanecia em completa paranoia silenciosa sempre que percorria aquela estrada.
…É de crer que o chauffeur, à chegada e à partida, na igreja do Piódão, recomendava a alma a Nossa Senhora.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Viajar ao centro (1)



Sendo o Barril de Alva uma "porta escancarada" para as serras do Açor e Estrela, a partir da nossa Área de Serviço para Autocaravanas sugere-se um percurso simplesmente FANTÁSTICO!
Tome nota: 
Depois do pequeno-almoço, atravesse a ponte sobre o rio Alva, um quilómetro adiante vire à direita, para a Estrada dos Vales; outro quilómetro percorrido, paragem obrigatória no Miradouro do Barril de Alva (vista soberba!); siga viagem, mais um quilómetro, corte à esquerda para Casal de S.João, continue na direção da Benfeita; a seguir, faça uma pausa prolongada durante a visita (a pé) à Fraga da Pena, regresse à sua viatura e siga um pouco mais até Pardieiros (aqui, para recordar o passeio, compre uma colher de pau, peça artesanal...) e conheça a Mata da Margaraça. Obrigatório parar - percorra sem pressas os labirintos da mata sem receio de se perder. Depois, Monte Frio - mais uma paragem obrigatória para descansar o olhar. Continue a subir. A "páginas tantas", escolha: Fajão ou Piódão - ambos os destinos têm paisagens fantásticas, mas como queremos que regresse ao Barril de Alva, opte pelo Piódão. Visita demorada. Soberbo, não é? Na volta, à saída da aldeia, corte à esquerda para Chãs d'Égua e  descubra a arte dos nossos antepassados; em Foz d'Égua continue atento à paisagem e, a uma velocidade de "10 à hora", descubra o riacho que corre "lá em baixo" e por baixo de uma ponte suspensa! Stop: deslumbrante! Respire fundo, continue "nas calmas", atravesse Vide, continue para Avô (com a melhor praia fluvial da região e, "lá em cima", os restos de um castelo que, diz-se, D. Dinis fez seu...). Continue ao longo do rio Alva para Vila Cova de Alva (5 kms), continue um pouco mais e... vire à direita: Barril de Alva a 1 Km! A sua Área de Serviço fica " logo ali".
Que tal o dia?  

Quem é amigo, quem é?...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"De comer e chorar por mais"


Cabrito Recheado à Moda de Barril de Alva

Ingredientes para 8 a 10 pessoas
  • 1 cabrito com cerca de 3 kg (depois de bem arranjado) ;
  • 1,5 dl de azeite ;
  • 1 cabeça de alho grande ;
  • 2 ou 3 cebolas ;
  • 1 colher de chá de colorau ;
  • 250 g de banha ;
  • sal ;
  • pimenta ;
  • noz-moscada ;
  • 1 dl de vinho branco ;
Confecção:
Corta-se a fressura (miudezas) do cabrito em bocadinhos. Pica-se uma cebola e aloura-se com o azeite. Junta-se a fressura e dois dentes de alho picados e deixa-se também refogar. Tempera-se este guisado com sal, pimenta e noz-moscada e borrifa-se com um pouco de vinho branco. Deixa-se cozer.
À parte, num almofariz, pisam-se uns oito dentes de alho com sal grosso, pimenta e colorau. Junta-se um pouco de banha a esta papa e barra-se com ela todo o cabrito, por dentro e por fora.
Em seguida, recheia-se a cavidade abdominal do cabrito com o picado feito com a fressura e coloca-se o cabrito, ajeitando-o, numa assadeira de barro preto de Molelos. Rega-se com um pouco de vinho branco e introduzem-se ainda no tabuleiro alguns quartos de cebola. Espalha-se por cima a restante banha e leva-se o cabrito a assar no forno até ficar bem louro.
Acompanha-se com salada de alface ou de agriões.

fonte: 
Editorial Verbo  

domingo, 6 de janeiro de 2013

O rio Alva

Na serra mais alta de Portugal continental nasce num murmúrio o Rio Alva, que corre devagar e manso a caminho da foz no Rio Mondego, em Porto da Raiva, perto de Penacova, às portas de Coimbra.
O fio de água transforma-se em ribeiro quase à nascente, mas à medida que recebe suores de outras fontes, depressa se assume como rio pujante de vida, sem quedas ou desvios - os que existem são obra do Homem, que desde sempre usou o caudal para seu benefício, dos moinhos de moagem às “rodas de alcatruzes” que, nos estios,durante semanas, noite e dia, despejavam cântaros de seiva nas levadas e estas, serpenteando, alimentavam os milheirais e outras culturas de ocasião.
O trabalho insano das “rodas” proporcionava imagens muito belas e sons característicos dos movimentos em tono dos eixos. Aqui e além, nos tempos de agora, ainda se vislumbram engenhos do estilo, com a funcionalidade de sempre nuns casos, noutros como mera peça decorativa que regala a vista.
O Rio Alva coloca os seus serviços ao dispor das mini – hídricas, a contento de uns e desagrado de outros…
No entanto, o aproveitamento das suas águas e das várias qualidades de peixes que aí encontram o seu habitat natural é, desde sempre, o maior contributo que presta ao Homem.

sábado, 10 de novembro de 2012

Agora, o Alva vai apressado


O "meu" rio vai com pressa de chegar à foz e alarga as fronteiras do território que lhe pertence. Na imagem, há sinais de duas  cheias, paus e folhas amontoadas, como se fossem trilhos conhecidos de outros outonos e agora revividos pela força do pensamento  de quem tem do Alva a memória de outras barrigas, maiores do que estes sinais na erva molhada; tempos houve em que as águas rasgavam as margens - ficavam  os sulcos como sinais  de terra lavrada...

domingo, 28 de outubro de 2012

Sob a batuta do rio Alva

Choveu em demasia e o leito do rio Alva  não suportou o aumento do caudal. Com as águas revoltas e a transbordar vieram os detritos: pedaços de árvores e árvores inteiras, arrancadas pela raiz, lixo renascido da incúria humana, e a imensidão de água tingida de negro.
Tenho à mão dois locais de fácil acesso para olhar o "meu" rio: o Urtigal e a ponte que junta as margens de  duas freguesias: Barril de Alva e Vila Cova de Alva. Durante a calmaria da tarde de sábado, visitei ambos. 
No Urtigal, a água, quando é muita, desmultiplica os sons, aparentemente de forma distinta, consoante os solavancos da corrida que tem a meta no Mondego: primeiro, no caneiro, depois, junto à fonte, quando dobra a altura das pedras que se amontoam na margem direita, a estereofonia é tão real como se os ruidos fossem  misturados numa consola  multipistas a gosto de quem manipula os botões; na ponte, o rio é  manso, embora se perceba  que vai apressado, de barriga cheia...  
Na ponte, visto de cima, o Alva tem outra cor, não veste tanto de negro, mostra tons cinzentos, alguma espuma esbranquiçada. Ali, pela ausência de obstáculos no percurso, os sons  chegam suaves aos meus ouvidos  - nada me diz que tanta água é capaz de arrancar choupos pela raiz, mover rodas de  moinhos, suavizar os seixos, trazer a morte e contribuir para o crescimento dos milheirais que, em tempos, vestiam de verde  as margens, As plantas cresciam alinhadas,  como soldados na parada - agora, os terrenos, na sua maioria, estão vazios de utilidade, sobram os pastos...
Houve tempos em que quatro rodas de alcatruzes, junto à ponte, faziam parte da mesma orquestra, que tinha o rio como maestro, Se afinavam pelo mesmo diapasão, já não é da minha memória - apenas reservo a lembrança de melodias suaves, ao jeito dos lamentos do violino  de Travadinha, um dos maiores músicos de Cabo Verde, ou do clarinete do "ti" Abílio Ribeiro, ilustre  filarmónico da Banda da minha terra...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Viajar à boleia

Mesmo por cima da minha cabeça, mas  a muitos metros de altura, uns quantos aviões, diariamente,  insistem em percorrer os mesmos caminhos, entre a partida e a chegada; eu estou no "meio"  da  provocação  dos meus sonhos: Açores e Maputo são os  "próximos destinos", mas ninguém os adivinha, e como não tenho maneira de me fazer ouvir daqui de baixo, os aviões nem "param" para a boleia que lhes peço,  dedo grande no ar...



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Urtigal: à imagem da minha infância


O meu sítio, Barril de Alva, tem recantos que, fosse eu poeta, havia de imortalizar em palavras nunca somadas em verso, com ou sem rima - bastaria que, em mim, houvesse engenho e arte para transformar o belo do pensamento, impossível de publicar...
O Urtigal exerce tal fascínio que me transporta aos silêncios de quando me sinto solitário, voluntariamente abandonado. Aqui, no Urtigal, nem solidão, nem abandono: basta o rio que me remete para curtas memórias da infância, feitas de fantasmas e medos. 
O rio, o "meu rio", sempre de barriga cheia, nesse tempo, tinha barulhos inexplicáveis. É por isso que "pinto" o caneiro" e construo a "mesa do pensamento" à imagem da minha infância. Possivelmente, contínuo criança...