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A mostrar mensagens de Julho, 2011

Sonhos do profeta com que me fiz

Guardo a recordação de largos minutos de conversa sem rumo certo, embora o motivo que nos levou à fala fosse de importância coletiva, de toda uma comunidade.

Sem soluções no imediato, limitei-me aos argumentos de ocasião e fui deixando a promessa do meu empenho em levar a bom porto as justas reivindicações das duas senhoras, uma de cabelos da cor da neve, a outra com eles meio grisalhos.


Com a atenção dividida pelas duas, nem dei conta do tempo passar. 

As conversas estavam servidas numa taça  Lalique, como as cerejas à sobremesa; foi por isso que a uma se seguiu outra, e outra, e outra! Desfrutei, pois, o momento que era único - será único, digo eu, porque faço de profeta quanto ao futuro…

Horas depois, agora, noite alta a entrar na madrugada, continuo com a agradável sensação de que, como a Samaritana, que Coimbra canta, ( “… que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte”) , também eu fiz bem em aceitar a conversa “…a las cinco de la tarde”, (apetece-me citar Garcia Lorca pela coincidência da…

"Ti" Henriques

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Lúcido e caminhante apressado no passo miúdo, o "ti" Henriques é uma das figuras do Barril de Alva com mais anos de estórias para contar, sobretudo do "nosso" rio Alva e do seu moinho, onde os grãos se transformavam em farinha. Se passa por mim, tem sempre uma palavra gentil e simpática para acrescentar ao cumprimento. Desta vez, antecipei-me no gesto da fala:
- "Ti" Henriques, como tem passado? Espere um bocadinho para  lhe tirar uma fotografia; a família, lá em Lisboa, vai gostar de o ver  sorridente, como sempre...
E ficámos à conversa mais uns minutos, ele a lamentar-se  que o chafariz do Casal do Meio quase não deita água, eu a garantir que "vamos resolver isso, "ti" . Henriques".
E lá foi ele, de cajado na mão, saco de serapilheira  ao ombro...

Bailarico de S. João

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Por razões que não são das minhas encomendas, o S. João, cá na terra, está a ser festejado este fim de semana e eu, que tenho na minha conta de arraiais uma porção deles, fui somar mais um, não pela saudade, antes pela curiosidade do registo das novidades – do grupo de baile aos foliões. Depois de um “medley” musical de quinze minutos (para mais, e não para menos!), que incluía os “sucessos” de verão (?) nas vozes de três meninas, (quase) certinhas na coreografia (dois passos para a direita, outros tantos para a esquerda…), entendi dar por findo o arraial, não sem antes ouvir o teclista anunciar que “…íamos ficar com o nosso amigo Fernando Correia Marques”; pausei a passada, porque conheço o Fernando desde o tempo do “Carlitos” e do “Burrito” – lembram-se? Afinal, do FCM nem sinal, rebate falso, do Fernando só a autoria da cantiga, que “não é do meu tempo”, nem de agora, a acreditar nas novidades que ouço de quando em vez na Rádio de Arganil. Apressei o passo e desci a rua… Sendo “noite…